
Ele satisfaz a nossa busca pela perfeição, por conter um ciclo inteiro, estabelecer um marco, uma série, um número completo.
São dez os mandamentos que se propõem manter nosso mundo em paz e o ser humano em harmonia.
É o dez o responsável por armar o jogo – o meia avançado, como dizem os antigos boleiros. Aquele que faz a ligação entre defesa e ataque. Ele fica lá, naquele grande círculo do meio-campo, olhando, acompanhando os acontecimentos.
De repente – não mais que de repente – descortina a jogada. Recebe a bola, vê o lateral descendo, vai tocando, meio que com preguiça, como se fosse o mestre-sala e ela, a bola, uma porta-bandeira. Quando todos esperam o passe, ele dribla e segue. Quando todos esperam o drible, ele passa. Na medida, de bandeja, com efeito.
Mas o dez não acaba aí. É apenas um brinde, um surpreender a multidão durante um espetáculo ainda em andamento. E, exatamente porque a bola reconhece quem a trata bem, ela volta ao dez, pitagoricamente, demonstrando que a tabela obedece a clássica regra do a2 = b2 + c2 . E é gol. Sempre. Todos os dias, mesmo que sejam 19, 8 ou 27. Porque o dez é mesmo insuperável, indispensável, inesquecível.